sábado, 25 de fevereiro de 2012

Libras uma linguagem edificante


Linguaguens edificantes - 2ª Parte

Leitura Bíblica contextuada: 1Corintios 9

19. Porque, sendo livre para com todos, fiz-me servo de todos para ganhar ainda mais.
20. E Fiz-me como judeu para os judeus, para ganhar os judeus; para os que estão debaixo da lei, para ganhar os que estão debaixo da lei.
21. Para os que estão sem lei, como se estivera sem lei, para ganhar os que estão sem lei.
22.Fiz-me fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns.
… E Fiz-me intérprete de libras, para evangelizar os que não ouvem nem falam, para ganhar a estes.
23. Eu faço isto por causa do evangelho, para ser também participante dele.

Introdução: A inserção feita no texto é para demonstrar que a Linguagem Brasileira de Sinais – Libras é uma poderosa ferramenta na evangelização e discipulado dos surdos-mudos. Aprendê-la é amar o próximo rendendo-se à vocação para um sublime ministério.

Cinco vale mais que dez mil. Uma frase inteligível instrui e edifica a igreja mais que um longo sermão em linguagem não compreendida. Fazer inteligível o que se diz ao surdo e dar voz ao mudo é a honrosa missão dos intérpretes de libras. Paulo não se engrandecia por falar línguas, antes disse: “Dou graças ao meu Deus, porque falo mais línguas do que vós todos. Todavia eu antes quero falar na igreja cinco palavras na minha própria inteligência, para que possa também instruir os outros, do que dez mil palavras em línguas desconhecidas” (1Co 14:18,19).

Como que falando ao ar. Se o emissor não se faz entender, e o receptor não compreende a mensagem, as palavras são jogadas ao vento (v.9). A comunicação fica prejudicada, ou não existe (v.7,8,). Não há feedback (resposta, retorno). É o que está dizendo o versículo 16: “Doutra maneira, se tu bendisseres com o espírito, como dirá o que ocupa o lugar do indouto, o Amém, sobre a tua ação de graças, visto que não sabe o que dizes?”. Que proveito há nisso? (v.6).

Quem não se comunica… Quem não decodifica a mensagem “ocupa o lugar do indouto”. Como o irmão surdo não me ouve, também não entendo os seus sinais. O resultado é a marginalização da minoria: “Se não houver intérprete esteja calado na igreja, e fale consigo mesmo e com Deus” (v.28). Todavia isto não edifica, opostamente, somos exortados: “Faça tudo para edificação” (v.26 ); para tanto a Palavra ordena: “Haja intérprete” (v.27).

Fiz-me intérprete. Muitos irmãos e irmãs, entre eles muitos jovens, seguindo o conselho de São Paulo – “Assim também vós, como desejais dons espirituais, procurai abundar neles para a edificação da igreja” (v.12) – tem se dedicado a aprender a Libras. Na humildade, a atitude destes tornou-se mais eloqüente que suas palavras. Logo a CCB será a igreja com maior número de intérpretes em Libras e voltará a ser, em novo sentido, a ‘Igreja dos Sinais’.

Conclusão. A linguagem brasileira de sinais possibilitou a evangelização, o discipulado e a integração dos deficientes auditivos. Já não somos bárbaros uns com os outros, graças aos intérpretes nas igrejas.

Reflexão. Os intérpretes da Libras não falam em línguas estranhas nem as interpretam; mas possuem o ‘dom mais excelente’ – a caridade.

Linguagens edificantes e seus interpretes.



Verso áureo: “Porque a um pelo Espírito é dada… a variedade de línguas; e a outro a interpretação das línguas” (1Co 12:10b).

Introdução. O capítulo 14 da primeira carta aos Corintios é o texto em que o Apóstolo Paulo doutrina a igreja com relação ao dom de falar em novas e variadas línguas, também alerta para a necessidade de intérpretes. Creio por que a Bíblia diz, porém jamais soube de alguém a quem foi dada a interpretação das línguas. Assim, faço homenagem aos intérpretes de uma linguagem que tem se mostrado útil e trazido muita edificação para a igreja. Falo da Linguagem Brasileira de Sinais – Libras.

O sentido da voz. Por quê existe a linguagem? Para que as pessoas se comuniquem. Sem comunicação não há associação, e sem sociedade não há civilização. Com este raciocínio o autor da carta escreve: “Mas, se eu ignorar o sentido da voz, serei bárbaro para aquele a quem falo, e o que fala será bárbaro para mim” (v.11).

Variedades de línguas. A comunicação é feita de muitas formas; a fala é somente uma delas. Uma mensagem pode ser transmitida por códigos, cores, sons, imagens e sinais. Reforça a Bíblia: “Há, por exemplo, tanta espécie de vozes (linguagem) no mundo, e nenhuma delas é sem significação” (v.10). O próprio Deus fala aos homens de muitas maneiras (Hb 1:1); quando usa a voz das pessoas, fala com a igreja em revelação pela palavra da ciência, profecia e doutrina (v.6), e por meio de línguas estranhas fala de mistérios (v.2).

Quem tem ouvidos ouça. Comparo, às vezes, o dom de línguas com as parábolas do Senhor Jesus; mistérios são ditos à igreja, porém “ouvindo, não ouvem nem compreende” (Mt 13:13). Quando falo em línguas, sinto meu espírito fortalecido, pois “O que fala línguas estranhas edifica-se a si mesmo” (v.4) e ânsia de compartilhar com o meu irmão ao lado, porém eu mesmo não sei o que estou dizendo, “porque se eu orar em língua estranha, o meu espírito ora bem, mas o meu entendimento fica sem fruto” (v.14).

O convite de amor. Eu fico sem compreensão; a igreja sem edificação. Isto não é uma punição e sim um convite amoroso do Pai para que O busquemos em Espírito e tenhamos um encontro íntimo e poderoso e passemos a falar e orar não só em sentimento, mas no entendimento (v.15). O Senhor quer revelar seus mistérios à igreja, por isso nos exorta: “Pelo que, o que fala língua estranha, ore para que a possa interpretar” (v.13); “…para que a igreja receba edificação” (v.5).

Conclusão: Para que as linguagens dadas pelo Espírito Santo sejam edificantes, é necessário haver intérpretes que as traduzam para a igreja.



quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Entre o amor e a fé

Imagine-se, num trem com a pessoa amada, feliz por estar realizando a viagem de seus sonhos. Mas a bordo lhe é revelado que o destino é outro. Seu par lhe pede para seguir com ele numa viagem sem volta. Tem casa, emprego e família o esperando. O que você faria? Por amor seguiria com ele? Ou desceria na próxima estação mesmo que isto significaria o fim dos projetos de ambos?

“Por acaso, duas pessoas viajam juntas, sem terem combinado antes?” (Amós 3:3 NTLH).

Hora da decisão. Pode ser assim que se sintam as pessoas que embarcaram num casamento com jugo desigual. Durante ou pouco depois da lua-de-mel, descobrem que seus planos terão que ser refeitos ou mesmo cancelados.  A pessoa se vê então diante de uma encruzilhada, e surge o dilema de qual caminho seguir. Precisa decidir entre o amor e a fé.

Jugo desigual? O termo é usado para expressar as diferenças abismais, conflitantes e confrontantes, sejam elas: temperamentais; culturais; raciais; sociais; conceituais; etárias; ideológicas, entre duas pessoas que inviabilizem uma sociedade ou casamento entre elas. A expressão é comumente utilizada pelas comunidades eclesiais para referirem ao casamento de um membro com uma pessoa de outra religião, ou mesmo de outra denominação. Baseiam-se no verso áureo: “Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis” (2Co 6:14).

O que é jugo? É a canga de bois. Artefato que atrelava um animal ao outro e ao temão do arado, distribuindo igualmente a carga ou fardo. Quando desalinhado, desajustado ou desigual, provocava sobrecarga em um e lesões em ambos. No casamento, os cônjuges estão atrelados e devem caminhar lado-a-lado, com os mesmos propósitos e ideais. O manquejar de um levará ao descompasso do outro. A mulher foi criada para ser adjutora (estar lado) do homem (Gn 2:18). Por isso a comparação.

O ‘julgo’ eclesial. Vezes acontece de um rapaz ou moça de um grupo eclesial se apaixonar por uma pessoa de outra religião, ou como é mais comum, de outra denominação. Junto com o namoro começam os olhares tortos, o julgo (julgamento) eclesial, de seus irmãos de fé que não simpatizam com a união. Passa a ser visto como a ovelha-negra do rebanho. Ao tomar este trem, dizem que ele próprio está saindo dos trilhos.

Cruz! Credo! É tão difícil um casal de diferentes credos viverem bem? Infelizmente, sim. Ao mesmo tempo em que as religiões são fascinantes, são confrontantes. Quando as igrejas são compatíveis em credo, os costumes são diferentes. Respeitar a religião alheia é uma coisa; conviver em harmonia, vinte e quetro horas por dia, é outra. Você pode até suportar as dietas alimentares ou aceitar a ausência de seu cônjuge em algumas festividades. Mas ficaria passível ao ver seu filho morrendo e ele (cônjuge) interferindo no trabalho médico, impedindo uma transfusão de sangue ou órgãos? Permitiria que seu dinheiro fosse administrado por um patriarca? Como reagiria ao descobrir que quem mandará na sua casa é sua sogra como é o costume de algumas religiões?

Evangelho x religião. Muito tenho a falar sobre jugo desigual. Este texto mal serviu de introdução ao tema, mas posso garantir que a Bíblia não é a culpada dessa confusão toda e que o Evangelho não advoga a favor de qualquer placa denominacional. Nossas interpretações que o são. Ou seja, em certos casos, o julgo eclesial é o promotor do jugo desigual. Por isso: 'Eu reprovo a religião porque ela fragmenta os homens, enquanto que o evangelho unifica as pessoas. A religião sempre foi um dos maiores fenômenos que fragmentou ou dividiu pessoas na história humana. O evangelho por sua vez, sempre visou a unidade mesmo em meio as diversidades (diferenças humanas) através do espírito de amor e serviço manifestados em Cristo Jesus. Eu reprovo a religião... Enquanto amo, cada dia mais, o Evangelho de Cristo Jesus' (Li no Blog da Regina Farias).

Religião não se discute. Ao contrário desta máxima popular, devemos discutir sim. Bem posso respeitar a religião do outro, porém, debaixo do meu telhado não haverei de concordar que minha fé seja acareada. Não quero alguém que tolere, mas compartilhe de minha adoração. Quem estiver passando por isso, não deixe a conversa para depois. Resolvam tudo primeiro ou, por acaso, “Andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?” (Am 3:3). Pouquíssimas são as pessoas que conseguem conciliar seus diferentes credos e viver bem a relação. A maioria acaba, numa ou noutra estação, saltando do trem.